Magusto e São Martinho em Portugal: tradições, festas e destinos em 2026
Descubra como são celebradas as **Festas de São Martinho e os tradicionais Magustos em Portugal em 2026**, com castanhas assadas, vinho novo, costumes populares e sugestões de destinos para viver essa tradição portuguesa.

Quando novembro chega a Portugal, o cheiro de castanhas assadas começa a aparecer nas ruas, o vinho novo é servido à mesa e muitas vilas e aldeias recuperam uma das tradições mais queridas do outono português.
É tempo de São Martinho.
Celebrado oficialmente em 11 de novembro, o dia reúne religião, gastronomia e cultura popular. Em várias regiões do país, a data transforma-se em festas, feiras, convívios e nos tradicionais Magustos, encontros em torno do fogo onde não faltam castanhas, vinho, jeropiga e boa disposição.
Mas São Martinho não se resume apenas a uma noite de castanhas.
Em algumas cidades há grandes feiras populares. Noutras, pequenas comunidades mantêm costumes antigos. E há ainda festas dedicadas à castanha que começam semanas antes da data oficial.
Neste guia, reunimos algumas das Festas de São Martinho e Magustos mais interessantes de Portugal em 2026, além de curiosidades e dicas para quem pretende participar.
São Martinho e Magusto são a mesma coisa?
Não exatamente.
O São Martinho é celebrado em 11 de novembro e está ligado à figura de Martinho de Tours, um santo cristão do século IV.
Já o Magusto é uma celebração popular.
Tradicionalmente, reúne familiares, amigos ou comunidades em torno de uma fogueira, onde as castanhas são assadas e acompanhadas por bebidas típicas da época.
Um Magusto pode acontecer no próprio dia de São Martinho ou em qualquer outro momento do outono.
É por isso que, em Portugal, as duas tradições aparecem frequentemente juntas, embora tenham origens diferentes.
A lenda de São Martinho e o famoso Verão de São Martinho
Uma das histórias mais conhecidas da tradição portuguesa conta que Martinho de Tours, ainda soldado romano, encontrou um homem pobre num dia de muito frio.
Ao perceber que o homem não tinha roupa suficiente para se proteger, Martinho teria cortado a própria capa ao meio e oferecido metade.
Segundo a lenda, logo depois o tempo melhorou e o sol apareceu.
É desta história que vem a expressão “Verão de São Martinho”, utilizada para falar de alguns dias de tempo mais ameno que podem surgir em novembro.
Até hoje, o episódio da capa continua associado à ideia de partilha, generosidade e solidariedade.
O que acontece num Magusto tradicional?
Imagine uma fogueira acesa ao fim da tarde.
As castanhas começam a estalar no fogo, alguém abre uma garrafa de vinho novo e as pessoas reúnem-se para conversar.
Esse é o espírito do Magusto português.
Dependendo da região, podem aparecer:
- castanhas assadas
- vinho novo
- jeropiga
- água-pé
- caldo verde
- enchidos
- carne grelhada
- doces regionais
- música popular
- ranchos folclóricos
E existe ainda uma brincadeira tradicional muito conhecida: enfarruscar a cara das pessoas com a cinza ou carvão das castanhas.
Para quem visita Portugal nesta época, participar num Magusto é uma das formas mais simples de entrar em contacto com a cultura local.
Onde celebrar São Martinho e o Magusto em Portugal em 2026
As celebrações espalham-se praticamente por todo o país.
Algumas são grandes eventos turísticos, enquanto outras continuam profundamente ligadas às comunidades locais.
A seguir estão algumas das mais interessantes.
Vinhais — Rural Castanea e os sabores de Trás-os-Montes
Antes mesmo de chegar o dia de São Martinho, Vinhais, no distrito de Bragança, já começa a celebrar a castanha.
A Rural Castanea – Festa da Castanha é um dos principais eventos de outono da região.
A programação costuma reunir produtores, gastronomia regional e produtos típicos como:
- castanhas
- mel
- cogumelos
- vinho
- enchidos
- produtos artesanais
Mais do que uma feira, é uma oportunidade para conhecer a forte ligação de Trás-os-Montes com a produção da castanha.
Também costuma haver atividades culturais e gastronômicas ligadas aos sabores locais.
Ideal para: quem gosta de gastronomia e produtos regionais.
Fafe — um Magusto debaixo das estrelas
Um dos Magustos mais curiosos é realizado em Fafe, no distrito de Braga.
O chamado Magusto Cósmico mistura tradição popular com astronomia.
Enquanto as castanhas são assadas e o vinho novo circula entre os participantes, telescópios são utilizados para observar o céu.
É uma combinação bastante diferente do Magusto tradicional.
Destaque: astronomia + castanhas + convívio.
Alijó — São Martinho no coração do Douro
No Douro, o vinho naturalmente ganha protagonismo.
Em Alijó, as comemorações de São Martinho costumam incluir feira, gastronomia, produtos regionais e o tradicional vinho novo.
A própria paisagem duriense transforma a experiência.
É um destino interessante para quem pretende combinar o São Martinho com visitas a quintas, miradouros e aldeias do Vale do Douro.
Quando: em torno de 11 de novembro.
Penafiel — uma das grandes Feiras de São Martinho
A Feira de São Martinho de Penafiel é uma das celebrações mais conhecidas do país.
Durante vários dias, a cidade recebe visitantes interessados em:
- castanhas
- vinho
- gastronomia
- artesanato
- feira popular
- tradição religiosa
Ao contrário de pequenos Magustos comunitários, Penafiel oferece uma experiência de maior dimensão.
É uma boa escolha para quem procura uma festa popular portuguesa tradicional, com bastante movimento nas ruas.
Póvoa Velha, Seia — o Magusto como antigamente
Para uma experiência completamente diferente, vale olhar para a região da Serra da Estrela.
Na Póvoa Velha, o chamado Magusto à Antiga tenta recuperar formas tradicionais de celebrar.
Em vez de grandes estruturas, aparecem elementos simples:
caruma, fogueira, castanhas, comida caseira e convívio entre moradores.
É uma oportunidade interessante para descobrir como estas festas eram vividas nas pequenas aldeias portuguesas.
Golegã — São Martinho entre cavalos e tradição
Poucas festas portuguesas conseguem unir São Martinho e cavalos como acontece na Golegã.
A famosa Feira Nacional do Cavalo coincide com a época de São Martinho e transforma completamente a vila.
Durante vários dias, as ruas recebem:
- cavalos lusitanos
- cavaleiros
- desfiles
- tertúlias
- castanhas
- vinho
- gastronomia
É uma das experiências mais singulares desta lista.
Mesmo para quem não acompanha competições equestres, o ambiente nas ruas já faz valer a visita.
Ideal para: quem procura uma grande festa popular com identidade própria.
Marvão — castanhas dentro de uma vila medieval
Imagine uma vila medieval no alto de uma montanha cercada por muralhas.
Agora acrescente castanhas assadas, artesanato, música e produtos regionais.
É assim que Marvão recebe a tradicional Festa do Castanheiro – Feira da Castanha.
A festa celebra um dos produtos mais importantes da região e costuma reunir produtores locais, gastronomia e atividades culturais.
A localização torna o evento ainda mais especial.
Caminhar pelas ruas históricas de Marvão durante a festa é uma das experiências de outono mais bonitas do Alentejo.
Destaque: cenário histórico + gastronomia regional.
Lisboa — Magusto em versão urbana
Quem estiver na capital não precisa sair necessariamente para uma aldeia.
Alguns espaços de Lisboa passaram a criar versões urbanas da tradição.
Em Marvila, por exemplo, eventos ligados ao Magusto podem combinar:
castanhas, música, cerveja artesanal e ambiente descontraído.
É uma interpretação contemporânea de uma tradição antiga e pode agradar especialmente quem pretende conhecer o costume sem sair do roteiro pela capital.
Portimão — uma das grandes feiras populares do Algarve
No Algarve, a Feira de São Martinho de Portimão é uma das celebrações mais conhecidas.
O evento reúne características de uma grande feira popular.
Há:
- castanhas assadas
- farturas
- frutos secos
- vendedores
- tasquinhas
- diversões
- atrações para famílias
É uma ótima opção para quem estiver no Algarve em novembro e quiser experimentar uma festa tradicional fora da temporada de praia.
Curral das Freiras — a castanha da Madeira
Na ilha da Madeira, a castanha também possui festa própria.
O Curral das Freiras, rodeado por montanhas, recebe uma tradicional Festa da Castanha.
Durante o evento, é possível encontrar várias formas de utilização do produto.
Entre elas:
- castanhas assadas
- bolos de castanha
- licores
- doces
- pratos tradicionais
A paisagem do Curral das Freiras torna a visita ainda mais interessante.
É uma boa maneira de conhecer uma Madeira bastante diferente daquela associada apenas às praias e ao Funchal.
Funchal — São Martinho, vinho e tradição
O Funchal possui uma ligação especial com esta época.
Na freguesia de São Martinho, a celebração do padroeiro mistura tradição religiosa e costumes ligados ao vinho.
Uma das práticas históricas associadas ao período é a abertura das adegas para provar o vinho novo.
Por isso, castanhas e vinho aparecem novamente como protagonistas.
Para quem estiver na Madeira em novembro, é uma oportunidade de viver uma festa local fora dos circuitos turísticos mais tradicionais.
Pequenos Magustos que também merecem atenção
As grandes festas recebem mais turistas, mas muitos dos Magustos mais autênticos acontecem em pequenas comunidades.
E algumas das melhores experiências podem estar justamente nesses lugares.
Friestas — folclore e tradição minhota
Em Friestas, no concelho de Valença, o Magusto está ligado ao espírito comunitário e ao folclore.
O encontro costuma reunir:
castanhas, vinho novo, música e tradição minhota.
É uma celebração pequena, mas exatamente por isso pode oferecer uma experiência mais próxima da população local.
Feitosa — sabores tradicionais do Minho
Na Feitosa, região de Ponte de Lima, a comida assume grande protagonismo.
Além das castanhas e do vinho novo, podem aparecer especialidades como:
- broa de milho
- caldo
- comida tradicional
- música popular
É o tipo de Magusto onde a gastronomia ajuda a manter viva a identidade da região.
Mesão Frio — São Martinho junto à igreja
No Douro, o Magusto também aparece ligado às comunidades religiosas.
Em Mesão Frio, celebrações podem acontecer junto à igreja dedicada a São Martinho.
Castanhas, vinho novo e comida juntam-se ao convívio comunitário.
A região ainda permite combinar a festa com um roteiro pelas paisagens do Douro Vinhateiro.
Muxagata — um São Martinho de aldeia
Na pequena localidade de Muxagata, no concelho de Fornos de Algodres, o Magusto mantém uma escala essencialmente comunitária.
Nada de grandes multidões.
A ideia é reunir moradores em torno das castanhas, do fogo e do convívio.
Para quem procura uma experiência genuína e simples, é exatamente esse caráter pequeno que torna o evento interessante.
Famalicão da Serra — castanha e jeropiga
Aqui a jeropiga divide protagonismo com as castanhas.
A tradicional Festa da Castanha e da Jeropiga costuma incluir:
- magusto
- bolos de castanha
- gastronomia
- produtos locais
- prova de jeropiga
Uma das tradições mais curiosas é passar por diferentes adegas para provar a bebida.
É uma experiência muito ligada à cultura das aldeias da região da Guarda.
Serra da Lousã — Magusto junto à natureza
O Magusto também pode acontecer em ambientes diferentes.
No Parque Biológico da Serra da Lousã, o encontro combina castanhas e convívio com uma área natural rodeada por fauna e flora.
É uma boa opção para famílias e para quem prefere atividades ao ar livre.
Sertã — vários Magustos numa só região
Na Sertã, diferentes localidades e associações organizam os seus próprios encontros.
Alguns incluem apenas castanhas e vinho.
Outros acrescentam:
bailes, caminhadas, provas de vinho e atividades comunitárias.
Isso mostra uma característica importante da tradição: não existe um único modelo de Magusto.
Cada aldeia pode adaptar a celebração aos seus próprios costumes.
Alpedriz — quando o Magusto encontra o rock
Nem todos os Magustos têm música tradicional.
Em Alpedriz, perto de Alcobaça, existe uma versão bem diferente.
O Magusto Rock mistura:
- concertos
- castanhas
- comida
- cultura local
- solidariedade
É um exemplo de como tradições antigas podem continuar vivas mesmo quando ganham formatos contemporâneos.
Ouguela — tradição numa pequena aldeia alentejana
Em Ouguela, no município de Campo Maior, o Magusto mantém um espírito muito comunitário.
Há castanhas, comida e encontros entre moradores.
Em pequenas localidades como esta, estas festas também cumprem outra função importante: ajudam a manter as comunidades reunidas.
Sobral da Adiça — Magusto no Alentejo
No concelho de Moura, a aldeia de Sobral da Adiça também celebra com gastronomia, música e castanhas.
O objetivo vai além da festa.
Eventos deste tipo ajudam a transmitir tradições entre diferentes gerações, evitando que costumes antigos desapareçam.
Alferce — Magusto Popular no interior do Algarve
Quem associa Algarve apenas ao litoral pode surpreender-se.
No interior, aldeias como Alferce, no concelho de Monchique, mantêm tradições muito antigas.
No Magusto Popular, uma grande fogueira torna-se o centro da celebração.
Ao redor aparecem:
- castanhas
- artesanato
- produtos locais
- histórias
- cantigas tradicionais
É um Algarve rural que muitos turistas nunca chegam a conhecer.
Alta Mora — caminhada, Magusto e tradição
Outra experiência interessante no Algarve acontece em Alta Mora, região de Castro Marim.
As celebrações podem juntar:
caminhada, gastronomia, Magusto, mercado local e convívio comunitário.
É praticamente um dia inteiro dedicado à cultura local.
Quarteira — Magusto com finalidade solidária
Alguns eventos utilizam a tradição também para ajudar a comunidade.
Em Quarteira, iniciativas de Magusto solidário juntam castanhas, baile e convívio com ações de apoio social.
Assim, o sentido de partilha, tão presente na própria lenda de São Martinho, ganha uma dimensão bastante concreta.
O Magusto da Velha — a tradição onde chovem castanhas
Uma das festas mais curiosas de Portugal nem sequer acontece em novembro.
Na Aldeia Viçosa, no distrito da Guarda, realiza-se o tradicional Magusto da Velha em 26 de dezembro.
O momento mais famoso acontece quando castanhas são lançadas do alto do campanário para a população.
As pessoas apanham as castanhas e continuam a celebração junto ao fogo.
É uma tradição secular e uma das provas de que o Magusto português ultrapassa a própria data de São Martinho.
Por que se comem castanhas no São Martinho?
A resposta está ligada à história agrícola portuguesa.
Antes da batata e de outros alimentos se tornarem comuns, a castanha teve enorme importância alimentar em várias regiões do Norte e Centro de Portugal.
Era barata, nutritiva e podia ser utilizada de muitas formas.
Como a colheita ocorre no outono, acabou naturalmente associada às celebrações realizadas nesta época.
Daí nasceu a ligação entre:
novembro + fogueira + castanhas + convívio.
E por que se bebe vinho novo?
Novembro também coincide com o período posterior às vindimas.
O vinho produzido com as uvas colhidas naquele ano começava então a ser provado.
É daí que vem o conhecido ditado português:
“No dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho.”
Além do vinho novo, outras bebidas tradicionais também aparecem nesta época.
Jeropiga, água-pé e vinho novo: qual é a diferença?
Jeropiga
É uma bebida doce produzida através da mistura de mosto de uva com aguardente.
Água-pé
Tradicionalmente obtida através do aproveitamento do bagaço das uvas após a produção do vinho.
Tem teor alcoólico geralmente mais baixo.
Vinho novo
É simplesmente o vinho produzido na vindima daquele mesmo ano e provado ainda jovem.
Pequeno dicionário para entender o São Martinho
Antes de participar numa festa, vale aprender algumas palavras.
Magusto — encontro popular em torno de castanhas e fogo.
Jeropiga — bebida doce feita com mosto e aguardente.
Água-pé — bebida tradicional ligada à produção de vinho.
Vinho novo — vinho produzido na vindima daquele ano.
Verão de São Martinho — período popularmente associado a alguns dias mais amenos em novembro.
Enfarruscar — sujar a cara com cinza ou carvão das castanhas.
Como participar num Magusto em Portugal
Em muitos eventos, basta aparecer.
Mas algumas festas maiores podem exigir bilhete, reserva ou inscrição prévia.
Antes de viajar, confirme:
- horário
- localização
- entrada
- necessidade de reserva
- estacionamento
- programação
- condições meteorológicas
Nos Magustos comunitários, também pode ser útil levar uma caneca reutilizável, casaco quente e calçado confortável.
E existe uma dica importante: novembro pode ser bastante frio em regiões como Trás-os-Montes, Guarda e Serra da Estrela, especialmente à noite.
Qual é o melhor lugar para viver o São Martinho em Portugal?
Depende do tipo de experiência que procura.
Para uma grande festa popular, Penafiel, Golegã e Portimão estão entre as opções mais conhecidas.
Para castanhas e gastronomia regional, considere Vinhais, Marvão ou Curral das Freiras.
Quem prefere aldeias pequenas pode procurar Magustos no interior da Guarda, Minho ou Alentejo.
E para uma experiência mais urbana, Lisboa também apresenta versões contemporâneas da tradição.
Vale a pena viajar para Portugal durante o São Martinho?
Sim, especialmente para quem gosta de experiências culturais menos turísticas.
Novembro está fora da principal temporada de verão, e muitas regiões revelam uma atmosfera completamente diferente.
As paisagens mudam de cor, começam os sabores de inverno e as festas oferecem uma oportunidade rara de conviver com tradições portuguesas ainda muito presentes.
Mais do que simplesmente comer castanhas, participar num Magusto em Portugal é experimentar um costume baseado em três ideias muito simples:
partilhar comida, reunir pessoas e celebrar a chegada de uma nova estação.
Quando novembro de 2026 chegar, procure uma fogueira, prove uma castanha assada, experimente a jeropiga e descubra por que São Martinho continua tão presente na cultura portuguesa.
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